Alupar (ALUP11) e Axia (AXIA3): o Que Muda Após o Leilão
O leilão de transmissão da Aneel da última sexta-feira (3) teve dois vencedores claros na Bolsa: Alupar (ALUP11) e Axia Energia (AXIA3).
A Alupar ficou com o principal lote do certame. A Axia arrematou três dos quatro lotes que disputou. E as duas fizeram isso com deságios acima de 50%.
A pergunta que importa para o investidor é direta: esses projetos criam valor ou destroem retorno? Os detalhes foram reportados pelo Guia do Investidor. Vamos aos números.
O que estava em jogo no leilão
Não era um leilão comum. Era uma relicitação.
Os lotes tinham sido arrematados pela MEZ Energia em leilões de 2020 e 2021. A empresa não conseguiu executar os projetos e os devolveu ao governo. A nova disputa foi negociada com o TCU.
Isso já diz algo importante: esses projetos têm histórico de dificuldade de execução. Quem levou agora precisa entregar onde o vencedor anterior falhou.
Alupar: o lote mais disputado
A Alupar venceu o Lote 7 por meio do consórcio Olympus, formado com o fundo Infra II Investment.
- Investimento estimado: cerca de R$ 1,1 bilhão.
- Projeto: linhas de transmissão subterrâneas na região metropolitana de São Paulo.
- Deságio: 52% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima.
- Retorno estimado: TIR alavancada de 13,1%, segundo o Itaú BBA — uma das mais altas entre os ativos licitados.
Linhas subterrâneas em área urbana densa são obras complexas. Interferência com redes existentes, licenciamento urbano e desapropriações pesam no cronograma. O retorno é alto justamente porque o risco de execução também é.
Axia: volume e diversificação
A Axia ficou com três lotes, somando R$ 668 milhões em investimentos estimados. Os ativos ficam no interior de São Paulo, em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul.
- Deságios: acima de 50% em todas as disputas que venceu.
- Lotes 8 e 9: TIR estimada de cerca de 9,2%.
- Lote 10: TIR que pode chegar a 12,6%, com o menor deságio entre os projetos.
Os retornos dos Lotes 8 e 9 são mais apertados. Com a Selic em patamar elevado, uma TIR perto de 9% exige execução muito disciplinada para valer a pena frente ao custo de capital.
Comparativo dos projetos
| Empresa | Lotes | Investimento | Deságio | TIR estimada (Itaú BBA) |
|---|---|---|---|---|
| Alupar (ALUP11) | Lote 7 | ~R$ 1,1 bi | 52% | 13,1% (alavancada) |
| Axia (AXIA3) | Lotes 8 e 9 | R$ 668 mi (3 lotes) | >50% | ~9,2% |
| Axia (AXIA3) | Lote 10 | >50% (menor do certame) | até 12,6% |
Deságio acima de 50%: bom ou ruim?
Deságio alto é ótimo para o consumidor de energia. Para o acionista, depende.
Deságio significa aceitar uma receita anual menor do que o teto definido pela Aneel. Quanto maior o deságio, menor a RAP e menor a margem para erro na obra.
O Itaú BBA avalia o retorno como positivo. Mas ressalta: a rentabilidade final depende da execução das obras e do controle de custos frente às estimativas regulatórias.
Tradução prática: se o custo da obra estourar ou o cronograma atrasar, a TIR cai. E com deságios desse tamanho, não há muita gordura.
Por que transmissão segue atraente
Mesmo com esse risco, transmissão é um dos negócios mais previsíveis da Bolsa:
- Receita contratada por décadas, corrigida pela inflação.
- Baixo risco de demanda: a RAP é paga pela disponibilidade da linha, não pelo volume de energia transportado.
- Geração de caixa estável depois que o projeto entra em operação.
O risco está concentrado na fase de construção. Depois que a linha opera, o perfil muda para renda quase de título público indexado.
O que fazer agora
Para quem tem ou avalia ALUP11 e AXIA3, os critérios práticos:
- Não compre só pela manchete do leilão. O impacto desses lotes no valor total das empresas é incremental. A tese de cada uma depende do portfólio inteiro.
- Acompanhe o cronograma. O principal risco agora é execução. Atrasos e estouros de custo aparecem nos relatórios trimestrais.
- Compare a TIR com o custo de capital. Retornos perto de 9% em um ambiente de juros altos não são folga. Retornos acima de 12% são mais confortáveis.
- Olhe o seu peso em elétricas. Transmissão, geração e distribuição juntas podem formar uma concentração setorial maior do que parece.
Esse último ponto é o mais negligenciado. Muitas carteiras de dividendos acabam com 30% ou mais em energia sem que o investidor perceba. No Grana.com.vc você vê a distribuição por ativo e por categoria em tempo real e sabe se ainda há espaço para aumentar a exposição — ou se é hora de segurar.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual lote a Alupar venceu no leilão de transmissão?
O Lote 7, por meio do consórcio Olympus, com investimento estimado de R$ 1,1 bilhão em linhas subterrâneas na região metropolitana de São Paulo.
Quantos lotes a Axia arrematou?
Três dos quatro disponíveis, somando R$ 668 milhões em investimentos no interior de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Por que esses lotes foram relicitados?
Porque a MEZ Energia, vencedora em leilões de 2020 e 2021, não conseguiu executar os projetos e os devolveu ao governo.
Deságio alto é ruim para o acionista?
Não necessariamente, mas reduz a margem para erro. O retorno final depende de a obra sair dentro do orçamento e do prazo.
Qual o retorno estimado dos projetos?
Segundo o Itaú BBA, TIR alavancada de 13,1% para o lote da Alupar; cerca de 9,2% para os Lotes 8 e 9 e até 12,6% para o Lote 10, ambos da Axia.
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