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Alupar (ALUP11) e Axia (AXIA3): o Que Muda Após o Leilão

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5 min de leitura
06/07/2026 às 09:15

O leilão de transmissão da Aneel da última sexta-feira (3) teve dois vencedores claros na Bolsa: Alupar (ALUP11) e Axia Energia (AXIA3).

A Alupar ficou com o principal lote do certame. A Axia arrematou três dos quatro lotes que disputou. E as duas fizeram isso com deságios acima de 50%.

A pergunta que importa para o investidor é direta: esses projetos criam valor ou destroem retorno? Os detalhes foram reportados pelo Guia do Investidor. Vamos aos números.

O que estava em jogo no leilão

Não era um leilão comum. Era uma relicitação.

Os lotes tinham sido arrematados pela MEZ Energia em leilões de 2020 e 2021. A empresa não conseguiu executar os projetos e os devolveu ao governo. A nova disputa foi negociada com o TCU.

Isso já diz algo importante: esses projetos têm histórico de dificuldade de execução. Quem levou agora precisa entregar onde o vencedor anterior falhou.

Alupar: o lote mais disputado

A Alupar venceu o Lote 7 por meio do consórcio Olympus, formado com o fundo Infra II Investment.

  • Investimento estimado: cerca de R$ 1,1 bilhão.
  • Projeto: linhas de transmissão subterrâneas na região metropolitana de São Paulo.
  • Deságio: 52% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima.
  • Retorno estimado: TIR alavancada de 13,1%, segundo o Itaú BBA — uma das mais altas entre os ativos licitados.

Linhas subterrâneas em área urbana densa são obras complexas. Interferência com redes existentes, licenciamento urbano e desapropriações pesam no cronograma. O retorno é alto justamente porque o risco de execução também é.

Axia: volume e diversificação

A Axia ficou com três lotes, somando R$ 668 milhões em investimentos estimados. Os ativos ficam no interior de São Paulo, em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul.

  • Deságios: acima de 50% em todas as disputas que venceu.
  • Lotes 8 e 9: TIR estimada de cerca de 9,2%.
  • Lote 10: TIR que pode chegar a 12,6%, com o menor deságio entre os projetos.

Os retornos dos Lotes 8 e 9 são mais apertados. Com a Selic em patamar elevado, uma TIR perto de 9% exige execução muito disciplinada para valer a pena frente ao custo de capital.

Comparativo dos projetos

EmpresaLotesInvestimentoDeságioTIR estimada (Itaú BBA)
Alupar (ALUP11)Lote 7~R$ 1,1 bi52%13,1% (alavancada)
Axia (AXIA3)Lotes 8 e 9R$ 668 mi (3 lotes)>50%~9,2%
Axia (AXIA3)Lote 10>50% (menor do certame)até 12,6%

Deságio acima de 50%: bom ou ruim?

Deságio alto é ótimo para o consumidor de energia. Para o acionista, depende.

Deságio significa aceitar uma receita anual menor do que o teto definido pela Aneel. Quanto maior o deságio, menor a RAP e menor a margem para erro na obra.

O Itaú BBA avalia o retorno como positivo. Mas ressalta: a rentabilidade final depende da execução das obras e do controle de custos frente às estimativas regulatórias.

Tradução prática: se o custo da obra estourar ou o cronograma atrasar, a TIR cai. E com deságios desse tamanho, não há muita gordura.

Por que transmissão segue atraente

Mesmo com esse risco, transmissão é um dos negócios mais previsíveis da Bolsa:

  • Receita contratada por décadas, corrigida pela inflação.
  • Baixo risco de demanda: a RAP é paga pela disponibilidade da linha, não pelo volume de energia transportado.
  • Geração de caixa estável depois que o projeto entra em operação.

O risco está concentrado na fase de construção. Depois que a linha opera, o perfil muda para renda quase de título público indexado.

O que fazer agora

Para quem tem ou avalia ALUP11 e AXIA3, os critérios práticos:

  1. Não compre só pela manchete do leilão. O impacto desses lotes no valor total das empresas é incremental. A tese de cada uma depende do portfólio inteiro.
  2. Acompanhe o cronograma. O principal risco agora é execução. Atrasos e estouros de custo aparecem nos relatórios trimestrais.
  3. Compare a TIR com o custo de capital. Retornos perto de 9% em um ambiente de juros altos não são folga. Retornos acima de 12% são mais confortáveis.
  4. Olhe o seu peso em elétricas. Transmissão, geração e distribuição juntas podem formar uma concentração setorial maior do que parece.

Esse último ponto é o mais negligenciado. Muitas carteiras de dividendos acabam com 30% ou mais em energia sem que o investidor perceba. No Grana.com.vc você vê a distribuição por ativo e por categoria em tempo real e sabe se ainda há espaço para aumentar a exposição — ou se é hora de segurar.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual lote a Alupar venceu no leilão de transmissão?

O Lote 7, por meio do consórcio Olympus, com investimento estimado de R$ 1,1 bilhão em linhas subterrâneas na região metropolitana de São Paulo.

Quantos lotes a Axia arrematou?

Três dos quatro disponíveis, somando R$ 668 milhões em investimentos no interior de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Por que esses lotes foram relicitados?

Porque a MEZ Energia, vencedora em leilões de 2020 e 2021, não conseguiu executar os projetos e os devolveu ao governo.

Deságio alto é ruim para o acionista?

Não necessariamente, mas reduz a margem para erro. O retorno final depende de a obra sair dentro do orçamento e do prazo.

Qual o retorno estimado dos projetos?

Segundo o Itaú BBA, TIR alavancada de 13,1% para o lote da Alupar; cerca de 9,2% para os Lotes 8 e 9 e até 12,6% para o Lote 10, ambos da Axia.

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