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Siderurgia: CSN, Usiminas e Gerdau e as Tarifas dos EUA

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6 min de leitura
10/06/2026 às 09:25

As siderúrgicas brasileiras tiveram um dia de festa na Bolsa.

Os Estados Unidos reduziram de 25% para 15% a tarifa sobre alguns produtos derivados de aço. Empresas que usam pelo menos 85% de aço produzido nos EUA podem ter tarifa de 10%. A reação foi imediata: CSN (CSNA3) liderou as altas do Ibovespa com mais de 9%, Usiminas (USIM5) subiu cerca de 6,7% e Gerdau (GGBR4) também avançou. Os detalhes estão no Guia do Investidor.

Mas atenção: a mudança atinge principalmente produtos derivados, não o aço bruto. E cada siderúrgica é afetada de um jeito diferente.

Por que tarifa importa tanto para o aço

O mundo produz mais aço do que consome. O excesso de oferta, principalmente da China, derruba preços globais. Para se proteger, vários países criaram barreiras.

Os EUA são o caso mais forte. As tarifas sobre o aço brasileiro dobraram em 2025. Isso dificultou exportações de quem vende do Brasil para lá — mas, ao mesmo tempo, protegeu quem produz dentro dos EUA.

É aqui que as três empresas se separam.

Gerdau: a que mais ganha com a proteção americana

A Gerdau tem usinas nos Estados Unidos. A operação americana já responde por cerca de 60% a 75% do Ebitda da companhia.

  • Tarifas altas sobre aço importado reduzem a concorrência para a Gerdau dentro dos EUA.
  • Por isso, a Gerdau é, ironicamente, uma das beneficiadas pelo protecionismo americano.
  • O JPMorgan mantém a Gerdau como preferida do setor, com preço-alvo elevado de R$ 27,50 para R$ 28.

Risco: qualquer redução de tarifas para outros países (Canadá, México) aumenta a concorrência para a Gerdau nos EUA. O Goldman Sachs também alerta para nova capacidade de aços longos no México prevista para o fim de 2026.

Usiminas: foco no mercado doméstico

A Usiminas é mais dependente do mercado brasileiro de aços planos, usados em carros, eletrodomésticos e máquinas.

  • O grande inimigo é o aço importado barato entrando no Brasil.
  • Barreiras tarifárias no Brasil e no México ajudam a proteger preços e margens.
  • O JPMorgan elevou a recomendação para neutra, após uma queda de cerca de 60% desde 2024, destacando risco limitado nesse nível de preço.

CSN: o desafio está na dívida

A CSN liderou a alta do dia, mas a tese tem uma camada a mais de risco.

  • A companhia tem operações de aço, mineração, cimento, logística e energia.
  • O ponto de atenção é o endividamento: o JPMorgan manteve recomendação neutra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 9,50 para R$ 8, citando preocupação com a estratégia de dívida.
  • Por ser mais alavancada, a CSN tende a oscilar mais — para cima e para baixo — com qualquer notícia do setor.

Comparativo rápido

EmpresaExposição principalEfeito das tarifas americanasPrincipal risco
Gerdau (GGBR4)Produção nos EUAProtegida pelas barreirasRedução de tarifas para Canadá/México
Usiminas (USIM5)Mercado brasileiro de planosIndireto; depende de barreiras no BrasilAço importado barato
CSN (CSNA3)Aço, mineração e outrosBeneficia exportações de derivadosEndividamento elevado

Por que a notícia mexeu tanto com a CSN

A CSN subiu mais que as outras. Por quê?

  • Alavancagem amplifica: empresas mais endividadas reagem mais a notícias, para cima e para baixo. Uma pequena melhora no cenário tem efeito proporcionalmente maior no valor das ações.
  • Posição vendida: ações muito descontadas costumam ter investidores apostando na queda. Uma notícia positiva força esses investidores a recomprar, acelerando a alta.
  • Exportação de derivados: a mudança atinge justamente produtos derivados, e não o aço bruto.

O ponto de atenção: altas movidas por notícia e por recompra de vendidos costumam perder força se não vierem acompanhadas de melhora nos resultados. O que sustenta a ação no longo prazo é a geração de caixa e a redução da dívida.

Ciclo do aço: onde estamos?

Siderurgia é um negócio cíclico. Preços sobem quando a demanda aquece e a oferta é contida; caem quando há excesso de produção. O ciclo atual é marcado por excesso de oferta global, demanda moderada e proteção comercial crescente em vários países. Nesse ambiente, as barreiras tarifárias funcionam como um "teto" para a concorrência externa — mas não resolvem o problema de fundo.

O contexto: exportações em alta

Há um dado positivo para o setor como um todo. Segundo o Instituto Aço Brasil, as exportações brasileiras de aço cresceram 62,4% em abril, com 1 milhão de toneladas embarcadas, enquanto as importações caíram 33,3%.

Mas o problema estrutural continua: excesso de oferta global. Enquanto a China produzir muito mais do que consome, os preços internacionais seguem pressionados.

O que fazer agora

  1. Não compre "o setor". As três empresas têm teses diferentes. Escolha pela exposição que faz sentido para você.
  2. Quer proteção ao protecionismo americano? A Gerdau é a mais exposta aos EUA.
  3. Quer apostar em recuperação doméstica? A Usiminas depende do Brasil e de barreiras ao importado.
  4. Quer mais risco e mais volatilidade? A CSN, com atenção total à dívida.
  5. Cuidado com a euforia de um dia. Notícias sobre tarifas mudam rápido — e podem ser revertidas.

Siderurgia é cíclica e volátil. Antes de aumentar posição depois de um dia de alta forte, veja quanto o setor já pesa na sua carteira. No Grana.com.vc você acompanha o peso de cada ativo e da categoria em tempo real, de graça.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que mudou nas tarifas de aço dos EUA?

A tarifa sobre alguns produtos derivados de aço caiu de 25% para 15%, podendo chegar a 10% para empresas que usam ao menos 85% de aço americano. A mudança não atinge principalmente o aço bruto.

Qual siderúrgica mais se beneficia das tarifas americanas?

A Gerdau, por ter produção nos EUA, onde as barreiras reduzem a concorrência do aço importado.

Por que a CSN é considerada mais arriscada?

Por seu endividamento. O JPMorgan reduziu o preço-alvo citando preocupação com a estratégia de dívida da companhia.

O setor de siderurgia é bom para o longo prazo?

É cíclico e afetado pelo excesso de oferta global, principalmente da China. Exige seleção cuidadosa e controle do tamanho da posição.

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