Siderurgia: CSN, Usiminas e Gerdau e as Tarifas dos EUA
As siderúrgicas brasileiras tiveram um dia de festa na Bolsa.
Os Estados Unidos reduziram de 25% para 15% a tarifa sobre alguns produtos derivados de aço. Empresas que usam pelo menos 85% de aço produzido nos EUA podem ter tarifa de 10%. A reação foi imediata: CSN (CSNA3) liderou as altas do Ibovespa com mais de 9%, Usiminas (USIM5) subiu cerca de 6,7% e Gerdau (GGBR4) também avançou. Os detalhes estão no Guia do Investidor.
Mas atenção: a mudança atinge principalmente produtos derivados, não o aço bruto. E cada siderúrgica é afetada de um jeito diferente.
Por que tarifa importa tanto para o aço
O mundo produz mais aço do que consome. O excesso de oferta, principalmente da China, derruba preços globais. Para se proteger, vários países criaram barreiras.
Os EUA são o caso mais forte. As tarifas sobre o aço brasileiro dobraram em 2025. Isso dificultou exportações de quem vende do Brasil para lá — mas, ao mesmo tempo, protegeu quem produz dentro dos EUA.
É aqui que as três empresas se separam.
Gerdau: a que mais ganha com a proteção americana
A Gerdau tem usinas nos Estados Unidos. A operação americana já responde por cerca de 60% a 75% do Ebitda da companhia.
- Tarifas altas sobre aço importado reduzem a concorrência para a Gerdau dentro dos EUA.
- Por isso, a Gerdau é, ironicamente, uma das beneficiadas pelo protecionismo americano.
- O JPMorgan mantém a Gerdau como preferida do setor, com preço-alvo elevado de R$ 27,50 para R$ 28.
Risco: qualquer redução de tarifas para outros países (Canadá, México) aumenta a concorrência para a Gerdau nos EUA. O Goldman Sachs também alerta para nova capacidade de aços longos no México prevista para o fim de 2026.
Usiminas: foco no mercado doméstico
A Usiminas é mais dependente do mercado brasileiro de aços planos, usados em carros, eletrodomésticos e máquinas.
- O grande inimigo é o aço importado barato entrando no Brasil.
- Barreiras tarifárias no Brasil e no México ajudam a proteger preços e margens.
- O JPMorgan elevou a recomendação para neutra, após uma queda de cerca de 60% desde 2024, destacando risco limitado nesse nível de preço.
CSN: o desafio está na dívida
A CSN liderou a alta do dia, mas a tese tem uma camada a mais de risco.
- A companhia tem operações de aço, mineração, cimento, logística e energia.
- O ponto de atenção é o endividamento: o JPMorgan manteve recomendação neutra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 9,50 para R$ 8, citando preocupação com a estratégia de dívida.
- Por ser mais alavancada, a CSN tende a oscilar mais — para cima e para baixo — com qualquer notícia do setor.
Comparativo rápido
| Empresa | Exposição principal | Efeito das tarifas americanas | Principal risco |
|---|---|---|---|
| Gerdau (GGBR4) | Produção nos EUA | Protegida pelas barreiras | Redução de tarifas para Canadá/México |
| Usiminas (USIM5) | Mercado brasileiro de planos | Indireto; depende de barreiras no Brasil | Aço importado barato |
| CSN (CSNA3) | Aço, mineração e outros | Beneficia exportações de derivados | Endividamento elevado |
Por que a notícia mexeu tanto com a CSN
A CSN subiu mais que as outras. Por quê?
- Alavancagem amplifica: empresas mais endividadas reagem mais a notícias, para cima e para baixo. Uma pequena melhora no cenário tem efeito proporcionalmente maior no valor das ações.
- Posição vendida: ações muito descontadas costumam ter investidores apostando na queda. Uma notícia positiva força esses investidores a recomprar, acelerando a alta.
- Exportação de derivados: a mudança atinge justamente produtos derivados, e não o aço bruto.
O ponto de atenção: altas movidas por notícia e por recompra de vendidos costumam perder força se não vierem acompanhadas de melhora nos resultados. O que sustenta a ação no longo prazo é a geração de caixa e a redução da dívida.
Ciclo do aço: onde estamos?
Siderurgia é um negócio cíclico. Preços sobem quando a demanda aquece e a oferta é contida; caem quando há excesso de produção. O ciclo atual é marcado por excesso de oferta global, demanda moderada e proteção comercial crescente em vários países. Nesse ambiente, as barreiras tarifárias funcionam como um "teto" para a concorrência externa — mas não resolvem o problema de fundo.
O contexto: exportações em alta
Há um dado positivo para o setor como um todo. Segundo o Instituto Aço Brasil, as exportações brasileiras de aço cresceram 62,4% em abril, com 1 milhão de toneladas embarcadas, enquanto as importações caíram 33,3%.
Mas o problema estrutural continua: excesso de oferta global. Enquanto a China produzir muito mais do que consome, os preços internacionais seguem pressionados.
O que fazer agora
- Não compre "o setor". As três empresas têm teses diferentes. Escolha pela exposição que faz sentido para você.
- Quer proteção ao protecionismo americano? A Gerdau é a mais exposta aos EUA.
- Quer apostar em recuperação doméstica? A Usiminas depende do Brasil e de barreiras ao importado.
- Quer mais risco e mais volatilidade? A CSN, com atenção total à dívida.
- Cuidado com a euforia de um dia. Notícias sobre tarifas mudam rápido — e podem ser revertidas.
Siderurgia é cíclica e volátil. Antes de aumentar posição depois de um dia de alta forte, veja quanto o setor já pesa na sua carteira. No Grana.com.vc você acompanha o peso de cada ativo e da categoria em tempo real, de graça.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que mudou nas tarifas de aço dos EUA?
A tarifa sobre alguns produtos derivados de aço caiu de 25% para 15%, podendo chegar a 10% para empresas que usam ao menos 85% de aço americano. A mudança não atinge principalmente o aço bruto.
Qual siderúrgica mais se beneficia das tarifas americanas?
A Gerdau, por ter produção nos EUA, onde as barreiras reduzem a concorrência do aço importado.
Por que a CSN é considerada mais arriscada?
Por seu endividamento. O JPMorgan reduziu o preço-alvo citando preocupação com a estratégia de dívida da companhia.
O setor de siderurgia é bom para o longo prazo?
É cíclico e afetado pelo excesso de oferta global, principalmente da China. Exige seleção cuidadosa e controle do tamanho da posição.
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