Logo
← Voltar para publicações

Natura (NATU3): os Riscos Ocultos Por Trás do Sentimento do Mercado

|
5 min de leitura
16/05/2026 às 10:15

Poucas ações dividem tanto o mercado quanto a Natura (NATU3). De um lado, casas que veem uma marca forte negociando a preço de liquidação. De outro, investidores cansados de esperar uma virada que não chega. O sentimento oscila entre esperança e frustração a cada balanço. O problema é que sentimento não é análise, e os riscos mais importantes costumam estar exatamente onde o otimismo não olha.

De acordo com o Guia do Investidor, a companhia registrou prejuízo de R$ 444,5 milhões no 1T26, contra lucro de R$ 96,7 milhões um ano antes. A ação caiu 5,62% no dia, para R$ 9,91.

Os números que o otimismo prefere suavizar

  • Receita: R$ 4,7 bilhões, queda de 7,7%.
  • Brasil: -5,5%.
  • Avon Brasil: -13,8%.
  • Ebitda: cerca de R$ 346 milhões, queda de 46,8%, com margem de 7,3%.
  • Dívida líquida: R$ 4 bilhões, 2,12 vezes o Ebitda.
  • Queima de caixa: cerca de R$ 430 milhões no trimestre.

A empresa chamou o 2º trimestre de período de transição. O documento completo está no site de RI da Natura.

Risco oculto nº 1: a âncora do preço da Advent

A gestora Advent pretende adquirir entre 8% e 10% da companhia a cerca de R$ 9,75 por ação. Para muitos, isso é sinal de confiança. Mas há outra leitura: um investidor sofisticado, com acesso privilegiado à gestão, decidiu que o preço justo para entrar está perto do preço de tela. Se a ação estivesse tão barata quanto dizem os otimistas, por que a Advent não pagaria mais?

Risco oculto nº 2: a Avon não é um detalhe

A queda de 13,8% da Avon Brasil não é ruído. A marca enfrenta concorrência de marcas asiáticas de skincare e de redes como O Boticário, que disputa a liderança. Quando o Bank of America revisou recomendações do setor, citou justamente a vulnerabilidade da Avon e o avanço das marcas asiáticas, como registrou o Guia do Investidor. O mesmo relatório levantou dúvidas sobre a própria operação da Advent.

Risco oculto nº 3: margem de 7,3% não sustenta a tese

Uma margem Ebitda de 7,3% é baixa para uma empresa de beleza com marca forte. A tese otimista depende de recuperação de margem. Mas o trimestre mostrou o movimento oposto: queda de vendas e de rentabilidade ao mesmo tempo, o pior cenário para alavancagem operacional.

Risco oculto nº 4: caixa queimando com dívida de 2 vezes o Ebitda

Alavancagem de 2,12 vezes não é crítica isoladamente. Mas, com Ebitda caindo quase pela metade e queima de caixa de R$ 430 milhões em um trimestre, o indicador pode subir rapidamente sem que a dívida aumente. É matemática: denominador menor, múltiplo maior.

Risco oculto nº 5: a dispersão de opiniões

As recomendações divergem: a XP mantém compra com alvo de R$ 13,50; o UBS manteve neutro e cortou o alvo de R$ 12 para R$ 11. Quando analistas profissionais discordam tanto, o investidor deveria entender que a incerteza é o fato mais relevante, e não escolher a opinião mais confortável.

O que poderia mudar a leitura

Para ser justo, uma virada não é impossível. A companhia vendeu a Avon Internacional e concentrou-se na América Latina, aposta em produtos de maior valor agregado e tem marcas reconhecidas. Os sinais que indicariam melhora real:

  1. Volta do crescimento de receita no Brasil.
  2. Estabilização das vendas da Avon.
  3. Recuperação da margem Ebitda para patamares de dois dígitos.
  4. Geração de caixa positiva por trimestres seguidos.

Esses dados aparecerão nos próximos balanços, divulgados à CVM. Até lá, a tese é uma aposta, não uma certeza.

Como separar sentimento de fundamento

O sentimento de mercado pode ser medido por recomendações de analistas, fluxo de investidores e comportamento do preço após balanços. Ele é útil para entender o humor de curto prazo, mas não substitui a análise dos números. Os dados de negociação e participação de investidores podem ser acompanhados na B3.

Proteja-se do viés de confirmação

Quem já tem a ação tende a procurar notícias que confirmem a decisão. O antídoto é olhar os números da própria carteira com frieza. No Grana.com.vc, você acompanha o preço médio real, o peso da Natura no patrimônio e a rentabilidade efetiva, e decide com base no plano, não no sentimento do dia.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quanto a Natura perdeu no 1T26?

Teve prejuízo de R$ 444,5 milhões, contra lucro de R$ 96,7 milhões no mesmo período de 2025.

A entrada da Advent é positiva?

Pode trazer disciplina, mas o preço de cerca de R$ 9,75 por ação indica que o investidor sofisticado não vê a ação tão descontada quanto os otimistas.

Por que a Avon preocupa?

As vendas da Avon Brasil caíram 13,8% no 1T26, com concorrência de marcas asiáticas e de redes nacionais.

Qual o preço-alvo da Natura?

A XP tem compra com alvo de R$ 13,50; o UBS, neutro com alvo de R$ 11.

Gostou do conteúdo?

Compartilhe com sua rede de investidores.