Braskem (BRKM5): Justiça Libera Venda do Controle à IG4
A venda do controle da Braskem (BRKM5) superou mais um obstáculo. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) rejeitou o pedido do Banco Safra para suspender a transferência do controle ao FIP Shine, fundo ligado à IG4 Capital. A ação reagiu com alta de mais de 6% e ficou entre as maiores do pregão.
De acordo com o Guia do Investidor, credores da NSP Investimentos, holding da Novonor que detém a participação na Braskem, haviam contestado o negócio na Justiça. O pedido do Safra foi revelado pelo Valor Econômico. Os comunicados oficiais estão no site de RI da Braskem.
O que a decisão do TJ-SP muda
O mercado leu a decisão como a retirada de um risco jurídico relevante. Sem ela, a transferência poderia ficar travada por meses, prolongando a indefinição sobre quem manda na petroquímica.
- Para a Novonor: a venda é peça-chave da reestruturação do grupo, que busca equacionar cerca de R$ 60 bilhões em dívidas.
- Para a Braskem: um controlador definido é condição para negociar com credores e decidir sobre a estrutura de capital.
- Para o minoritário: a OPA prevista no contrato fica mais próxima.
Mas atenção: o processo ainda depende de outras etapas. A decisão remove um obstáculo, não todos.
Para relembrar: o contrato foi assinado em abril, conforme noticiou a Money Times. Na época, a ação chegou a subir mais de 5%, segundo a Suno.
Os termos do contrato
- Ações transferidas: 226,3 milhões de ordinárias e 47,3 milhões de preferenciais classe A.
- Participação: cerca de 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total.
- Pagamento: sem dinheiro. A NSP recebe debêntures da própria NSP, compradas pelo fundo junto aos bancos credores da Novonor.
- Fatia remanescente: a NSP fica com cerca de 4% do capital, sem direitos de governança além dos previstos em lei.
- OPA: o fundo deve pedir à CVM registro de oferta pública para comprar as ações em circulação.
- Capital aberto: o fundo afirmou que não pretende fechar o capital da Braskem.
O papel da Petrobras
A Petrobras (PETR4) é a segunda maior acionista e tinha direito de preferência e de tag along pelo acordo de acionistas. O avanço do negócio dependia de ela não exercer esses direitos, além de autorizações judiciais e do Cade.
Analistas do Citi não esperavam que a estatal exercesse a preferência. E, em 24 de abril, a Petrobras fechou um novo acordo com o fundo Shine I, redefinindo a governança da petroquímica, segundo a Money Times. A expectativa é de controle compartilhado entre o fundo e a Petrobras. Para o Bradesco BBI, a Petrobras aparentemente consolidou o plano de ter mais influência na petroquímica.
Por que isso importa para o acionista
A saída da Novonor encerra uma longa fase de incerteza. A antiga controladora está em recuperação judicial, e a Braskem era seu ativo mais valioso. Isso travava decisões estratégicas.
Com um novo controlador, três coisas podem mudar:
- Governança: decisões sobre investimento e dívida deixam de depender de um controlador em crise.
- Estrutura de capital: o novo bloco pode negociar com credores e avaliar aportes.
- Estratégia com a Petrobras: a relação de fornecimento de matéria-prima pode ser revista.
O problema que não muda: a dívida
Novo dono não apaga o balanço. A Braskem fechou o último trimestre de 2025 com dívida líquida ajustada de cerca de US$ 7,5 bilhões e alavancagem próxima de 15 vezes o Ebitda. No 4T25, teve prejuízo de R$ 10,3 bilhões. A auditoria aprovou o balanço, mas registrou incerteza relevante sobre a continuidade operacional.
Ou seja: o novo controlador herda um problema grande. E a solução pode envolver capital novo. Se isso acontecer, o minoritário pode ser diluído.
Os credores da própria Braskem já deram sinais de que a negociação será dura. Em junho, a ação caiu quase 9% depois que detentores de títulos consideraram insatisfatórias as condições da proposta de reestruturação, como registrou o BP Money.
O que dizem os analistas
A XP mantinha recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 14 para o fim de 2026, segundo a Money Times. A leitura geral é de alívio na governança, mas cautela com o balanço.
A OPA: o que o minoritário precisa saber
Pelo contrato, o fundo vai lançar uma oferta pública pelas ações em circulação. Pontos de atenção:
- Preço da oferta: ainda não definido. Compare com a cotação e com o valor econômico da empresa.
- Adesão é opcional: você não é obrigado a vender.
- Prazo: depende do registro na CVM e das aprovações pendentes.
- Liquidez depois: o fundo não pretende fechar o capital, então a ação deve continuar negociada.
Critérios para decidir agora
- Separe governança de balanço. A primeira melhorou. O segundo continua frágil.
- Espere o preço da OPA. É uma referência importante de como o comprador avalia a empresa.
- Acompanhe as etapas pendentes: a decisão do TJ-SP removeu um risco, mas o fechamento ainda depende de outras condições.
- Dimensione o risco: uma empresa com alavancagem de 15x não deve ser posição grande em carteira conservadora.
- Monitore a negociação com credores: é ela que define quanto sobra para o acionista.
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Perguntas Frequentes (FAQ)
Quem comprou o controle da Braskem?
O Shine I FIP, gerido pela Vórtx Capital e assessorado pela IG4 Capital, que ficará com cerca de 50,1% do capital votante.
A Novonor recebeu dinheiro pela venda?
Não. A NSP recebe debêntures da própria NSP, adquiridas pelo fundo junto aos bancos credores da Novonor.
Haverá OPA para os minoritários?
Sim. O contrato prevê que o fundo peça à CVM registro de oferta pública pelas ações em circulação.
O que o TJ-SP decidiu?
Rejeitou o pedido do Banco Safra para suspender a transferência do controle da Braskem ao FIP Shine, ligado à IG4 Capital.
A Petrobras pode barrar o negócio?
Ela tinha direito de preferência e tag along, mas fechou em abril um novo acordo com o fundo Shine I, e a tendência é de controle compartilhado.
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