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Cemig (CMIG4): Reajuste de 6,5% na Conta de Luz e a Estratégia

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5 min de leitura
28/05/2026 às 10:15

A conta de luz em Minas Gerais ficou mais cara a partir de hoje. A Aneel homologou o reajuste tarifário anual da Cemig Distribuição, com efeito médio de 6,5%. É mais que a inflação. E o tema mexe com dois públicos ao mesmo tempo: o consumidor e o acionista de CMIG4.

De acordo com o Guia do Investidor, a companhia estuda medidas para reduzir o impacto. A homologação saiu na Resolução Homologatória nº 3.589, publicada em 28 de maio, como registrou o Atlas Público. As regras dos processos tarifários estão no site da Aneel.

Os números do reajuste

  • Efeito médio: 6,5%.
  • Consumidores residenciais: cerca de 5,2%.
  • Alta tensão (grandes consumidores): até 9,43%.
  • Inflação de 12 meses: 4,39%. O reajuste ficou acima.
  • Vigência: a partir de 28 de maio de 2026.

Segundo a reportagem, a Cemig atribui a alta principalmente a custos que não controla: compra de energia em leilões e encargos setoriais.

Reajuste alto é bom para o acionista?

Não necessariamente. Esse é o ponto que muita gente confunde.

Na distribuição de energia, a tarifa tem duas partes:

  1. Parcela A: custos repassados ao consumidor, como compra de energia, transmissão e encargos. A distribuidora não lucra com ela. Só repassa.
  2. Parcela B: remunera a operação, a manutenção e o investimento da distribuidora. É aqui que está a margem.

Se a maior parte do reajuste vem da Parcela A, como a Cemig indica, o efeito no lucro é pequeno. O consumidor paga mais, mas o dinheiro passa pela empresa e segue para geradores, transmissoras e fundos setoriais.

O risco escondido: inadimplência e política

Conta mais cara traz efeitos colaterais:

  • Mais inadimplência, principalmente em famílias de baixa renda.
  • Mais furto de energia, que vira perda não técnica.
  • Pressão política sobre uma estatal mineira em ano eleitoral.

O governo de Minas avalia mudanças na carga tributária da conta. Isso mostra o tamanho da pressão.

Cemig como investimento: o que pesa mais

O reajuste é só uma peça. Para o acionista, outros fatores importam mais:

  • Dividendos: a Cemig é tradicional pagadora de proventos, com política de distribuição mínima prevista no estatuto. O histórico pode ser consultado no Dados de Mercado.
  • Governança: como estatal, está sujeita a mudanças de comando ligadas ao governo estadual.
  • Concessões de geração: o vencimento e a renovação de usinas mexem com o valor da empresa.
  • Revisão tarifária periódica: a próxima revisão completa da distribuidora, que redefine a Parcela B, está prevista para 2028.

Os documentos oficiais da companhia estão no site de RI da Cemig.

O que fazer agora: critérios práticos

  1. Não compre pela manchete do reajuste. Ele cobre custos, não aumenta a margem de forma relevante.
  2. Olhe a Parcela B e a base de remuneração. São elas que definem o lucro da distribuidora no longo prazo.
  3. Acompanhe perdas e inadimplência nos próximos trimestres.
  4. Avalie o risco político. Ano eleitoral e estatal costumam significar volatilidade.
  5. Compare o dividend yield com a renda fixa. Com juros altos, a ação precisa pagar prêmio para compensar o risco. Os títulos públicos podem ser comparados no Tesouro Direto.

Para o consumidor: como reduzir o impacto

  • Verifique se tem direito à Tarifa Social de Energia Elétrica.
  • Acompanhe a bandeira tarifária do mês.
  • Avalie a geração distribuída (energia solar), considerando as regras atuais de compensação.

Lembrete tributário sobre os proventos

JCP tem imposto retido na fonte. E, desde 2026, dividendos acima de R$ 50 mil por mês de uma mesma empresa para uma pessoa física têm retenção de 10%. Para a maioria dos investidores, o limite está longe, mas vale saber.

Como ler os próximos balanços da Cemig

O efeito do reajuste aparece nos resultados ao longo dos próximos trimestres. Para separar o que é repasse do que é ganho real, observe três linhas:

  • Receita da distribuidora: deve subir, mas boa parte será compensada por custos com energia comprada e encargos.
  • Ebitda regulatório da distribuição: é o indicador que mostra se a Parcela B está sendo bem remunerada e se a operação é eficiente frente às metas da Aneel.
  • Perdas e provisões para devedores duvidosos: se subirem depois do reajuste, é sinal de que a conta mais cara está pesando no bolso do consumidor.

Também vale acompanhar a geração e a comercialização de energia, que têm dinâmicas próprias e muitas vezes pesam mais no lucro consolidado do que a distribuição. Uma leitura completa do balanço evita conclusões apressadas baseadas apenas na manchete do reajuste.

Acompanhe seus proventos de CMIG4

Quem investe em elétricas pela renda precisa saber quanto recebe de verdade. No Grana.com.vc, a agenda de proventos mostra os JCP e dividendos da Cemig, e a rentabilidade real considera esses pagamentos junto com o preço médio da sua posição.

Perguntas Frequentes (FAQ)

De quanto foi o reajuste da Cemig em 2026?

O efeito médio foi de 6,5%, com cerca de 5,2% para residências e até 9,43% para consumidores de alta tensão.

Quando o reajuste começa a valer?

A partir de 28 de maio de 2026, data de publicação da resolução da Aneel.

O reajuste aumenta o lucro da Cemig?

Pouco. A maior parte cobre custos repassados, como compra de energia e encargos, que não geram margem para a distribuidora.

Por que o reajuste ficou acima da inflação?

Segundo a Cemig, pelos custos com leilões de energia e encargos setoriais, que a empresa não controla.

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