RENT3 e MOVI3: o Impacto da Frota Elétrica nas Locadoras
A eletrificação chegou de vez às locadoras. A Localiza (RENT3) fechou acordo para comprar 10 mil veículos híbridos e elétricos da BYD ao longo de dois anos. É o maior movimento do tipo no setor, e ele levanta uma pergunta direta para o investidor: isso cria valor ou risco?
O anúncio foi feito pela própria BYD Brasil e repercutido pela AutoData e pelo Diário do Comércio.
O que a Localiza comprou
- Volume: 10 mil veículos híbridos e elétricos, incorporados gradualmente em dois anos.
- Modelos: Dolphin, Dolphin Mini, Song Plus e Song Pro, com acesso a todo o portfólio da BYD no Brasil.
- Uso: aluguel diário e mensal, carro por assinatura e gestão de frotas corporativas.
- Destino final: revenda na rede Localiza Seminovos.
- Escala: a frota total da Localiza passa de 630 mil veículos.
O acordo foi precedido de testes operacionais, que avaliaram desempenho, confiabilidade e eficiência dos modelos na rotina da locadora.
Em perspectiva: 10 mil em 630 mil
O número é grande para o mercado de elétricos, mas pequeno para a Localiza. Representa cerca de 1,6% da frota atual. Ou seja: não muda o perfil da companhia no curto prazo. É um teste em escala, não uma virada de modelo.
Isso é importante para calibrar expectativas. O efeito nos resultados de 2026 tende a ser marginal. O valor está no aprendizado e no posicionamento.
E a Movida (MOVI3)?
A Movida saiu na frente anos atrás. Em 2021, dizia ter a maior frota de carros de passeio 100% elétricos do país, com 220 Nissan Leaf. Em 2022, anunciou cerca de R$ 100 milhões para comprar 250 elétricos, também em aliança com a BYD, conforme noticiado à época pela Mercado & Eventos. A meta declarada era eletrificar 20% da frota até 2030.
A diferença agora é de escala. A Localiza transformou um piloto em contrato de grande volume. A Movida precisa mostrar como vai acompanhar.
O ponto crítico: o seminovo elétrico
Locadora ganha dinheiro em duas pontas: no aluguel e na revenda do carro usado. A segunda é onde mora o risco.
- Depreciação incerta: o mercado de elétricos usados no Brasil ainda é jovem. Não há histórico longo de preços.
- Tecnologia que envelhece rápido: baterias e autonomia evoluem a cada geração, o que pode derrubar o valor de modelos antigos.
- Guerra de preços: se as montadoras cortarem o preço do carro novo, o usado perde valor na mesma hora.
Uma análise publicada pelo Acionista lembra que o segmento de usados é visto como gargalo para a expansão mais rápida da frota, e que isso afeta principalmente a Localiza, que tem taxas de depreciação mais altas.
Por que as chinesas querem as locadoras
As locadoras compram uma fatia relevante dos carros novos vendidos no país. Para a BYD, vender 10 mil unidades de uma vez é volume garantido e vitrine: milhares de motoristas vão experimentar um elétrico pela primeira vez num carro alugado. A BYD informou ter vendido 100 mil elétricos no Brasil em 2025, segundo dados da própria montadora.
O que observar como investidor
- Preço de revenda dos elétricos: é o dado que vai dizer se a aposta dá certo. Acompanhe nos resultados trimestrais da Localiza e da Movida.
- Taxa de depreciação por carro: qualquer revisão para cima pesa no lucro.
- Custo de manutenção: elétricos tendem a ter menos peças de desgaste, o que pode compensar parte da depreciação.
- Infraestrutura de recarga: sem ela, o carro fica parado e a taxa de ocupação cai.
- Juros: locadoras são intensivas em dívida. A Selic continua sendo a variável mais importante do setor.
Riscos e oportunidades lado a lado
- Oportunidade: pioneirismo, menor custo de manutenção e apelo para clientes corporativos com metas de emissão.
- Risco: depreciação imprevisível e dependência de um único fornecedor em parte da frota nova.
Acompanhe o setor na sua carteira
RENT3 e MOVI3 respondem aos mesmos fatores: juros, preço de carro usado e demanda por locação. Ter as duas não é diversificar. No Grana.com.vc, você vê o peso do setor na carteira, o preço médio de cada posição e a rentabilidade real, e decide com clareza se a exposição está no tamanho certo.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quantos carros a Localiza comprou da BYD?
10 mil veículos híbridos e elétricos, incorporados à frota ao longo de dois anos.
Isso muda os resultados da Localiza em 2026?
O efeito tende a ser marginal, já que os 10 mil carros representam cerca de 1,6% de uma frota de mais de 630 mil veículos.
A Movida também tem carros elétricos?
Sim. A Movida tem parceria com a BYD desde 2022 e meta de eletrificar 20% da frota até 2030.
Qual o maior risco para as locadoras com elétricos?
O valor de revenda. O mercado de elétricos usados ainda é novo, e a depreciação é difícil de prever.
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