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RENT3 e MOVI3: o Impacto da Frota Elétrica nas Locadoras

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5 min de leitura
13/02/2026 às 10:02

A eletrificação chegou de vez às locadoras. A Localiza (RENT3) fechou acordo para comprar 10 mil veículos híbridos e elétricos da BYD ao longo de dois anos. É o maior movimento do tipo no setor, e ele levanta uma pergunta direta para o investidor: isso cria valor ou risco?

O anúncio foi feito pela própria BYD Brasil e repercutido pela AutoData e pelo Diário do Comércio.

O que a Localiza comprou

  • Volume: 10 mil veículos híbridos e elétricos, incorporados gradualmente em dois anos.
  • Modelos: Dolphin, Dolphin Mini, Song Plus e Song Pro, com acesso a todo o portfólio da BYD no Brasil.
  • Uso: aluguel diário e mensal, carro por assinatura e gestão de frotas corporativas.
  • Destino final: revenda na rede Localiza Seminovos.
  • Escala: a frota total da Localiza passa de 630 mil veículos.

O acordo foi precedido de testes operacionais, que avaliaram desempenho, confiabilidade e eficiência dos modelos na rotina da locadora.

Em perspectiva: 10 mil em 630 mil

O número é grande para o mercado de elétricos, mas pequeno para a Localiza. Representa cerca de 1,6% da frota atual. Ou seja: não muda o perfil da companhia no curto prazo. É um teste em escala, não uma virada de modelo.

Isso é importante para calibrar expectativas. O efeito nos resultados de 2026 tende a ser marginal. O valor está no aprendizado e no posicionamento.

E a Movida (MOVI3)?

A Movida saiu na frente anos atrás. Em 2021, dizia ter a maior frota de carros de passeio 100% elétricos do país, com 220 Nissan Leaf. Em 2022, anunciou cerca de R$ 100 milhões para comprar 250 elétricos, também em aliança com a BYD, conforme noticiado à época pela Mercado & Eventos. A meta declarada era eletrificar 20% da frota até 2030.

A diferença agora é de escala. A Localiza transformou um piloto em contrato de grande volume. A Movida precisa mostrar como vai acompanhar.

O ponto crítico: o seminovo elétrico

Locadora ganha dinheiro em duas pontas: no aluguel e na revenda do carro usado. A segunda é onde mora o risco.

  • Depreciação incerta: o mercado de elétricos usados no Brasil ainda é jovem. Não há histórico longo de preços.
  • Tecnologia que envelhece rápido: baterias e autonomia evoluem a cada geração, o que pode derrubar o valor de modelos antigos.
  • Guerra de preços: se as montadoras cortarem o preço do carro novo, o usado perde valor na mesma hora.

Uma análise publicada pelo Acionista lembra que o segmento de usados é visto como gargalo para a expansão mais rápida da frota, e que isso afeta principalmente a Localiza, que tem taxas de depreciação mais altas.

Por que as chinesas querem as locadoras

As locadoras compram uma fatia relevante dos carros novos vendidos no país. Para a BYD, vender 10 mil unidades de uma vez é volume garantido e vitrine: milhares de motoristas vão experimentar um elétrico pela primeira vez num carro alugado. A BYD informou ter vendido 100 mil elétricos no Brasil em 2025, segundo dados da própria montadora.

O que observar como investidor

  1. Preço de revenda dos elétricos: é o dado que vai dizer se a aposta dá certo. Acompanhe nos resultados trimestrais da Localiza e da Movida.
  2. Taxa de depreciação por carro: qualquer revisão para cima pesa no lucro.
  3. Custo de manutenção: elétricos tendem a ter menos peças de desgaste, o que pode compensar parte da depreciação.
  4. Infraestrutura de recarga: sem ela, o carro fica parado e a taxa de ocupação cai.
  5. Juros: locadoras são intensivas em dívida. A Selic continua sendo a variável mais importante do setor.

Riscos e oportunidades lado a lado

  • Oportunidade: pioneirismo, menor custo de manutenção e apelo para clientes corporativos com metas de emissão.
  • Risco: depreciação imprevisível e dependência de um único fornecedor em parte da frota nova.

Acompanhe o setor na sua carteira

RENT3 e MOVI3 respondem aos mesmos fatores: juros, preço de carro usado e demanda por locação. Ter as duas não é diversificar. No Grana.com.vc, você vê o peso do setor na carteira, o preço médio de cada posição e a rentabilidade real, e decide com clareza se a exposição está no tamanho certo.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quantos carros a Localiza comprou da BYD?

10 mil veículos híbridos e elétricos, incorporados à frota ao longo de dois anos.

Isso muda os resultados da Localiza em 2026?

O efeito tende a ser marginal, já que os 10 mil carros representam cerca de 1,6% de uma frota de mais de 630 mil veículos.

A Movida também tem carros elétricos?

Sim. A Movida tem parceria com a BYD desde 2022 e meta de eletrificar 20% da frota até 2030.

Qual o maior risco para as locadoras com elétricos?

O valor de revenda. O mercado de elétricos usados ainda é novo, e a depreciação é difícil de prever.

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