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RENT3 vs MOVI3 e a Frota Elétrica: Análise Para o Investidor

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5 min de leitura
20/02/2026 às 10:10

A eletrificação das locadoras virou tema de manchete depois que a Localiza (RENT3) anunciou a compra de 10 mil veículos híbridos e elétricos da BYD. A narrativa dominante é de modernização, sustentabilidade e pioneirismo. Antes de comprar a tese, vale olhar o que a eletrificação muda, e o que ela pode custar, para Localiza e Movida (MOVI3).

Uma análise do Acionista levantou o ponto que o entusiasmo costuma esquecer: o mercado de usados é um gargalo para a expansão da frota, e isso afeta principalmente a Localiza, que tem taxas de depreciação mais altas.

As duas estratégias

  • Localiza: acordo para comprar 10 mil híbridos e elétricos da BYD ao longo de dois anos, numa frota de mais de 630 mil veículos, conforme anunciado pela BYD Brasil.
  • Movida: pioneira, com parceria com a BYD desde 2022, quando anunciou cerca de R$ 100 milhões para 250 elétricos, e meta de eletrificar 20% da frota até 2030.

Já analisamos o anúncio da Localiza em RENT3 e MOVI3: o impacto da frota elétrica.

O que a narrativa otimista ignora

1. Ninguém sabe quanto vale um elétrico usado em três anos

O modelo de negócio das locadoras depende de comprar barato, alugar por alguns anos e revender bem. Com carros a combustão, existe um histórico longo de preços de revenda. Com elétricos, não. Se a tecnologia de baterias avançar rápido, modelos atuais podem perder valor mais depressa do que o previsto.

2. A guerra de preços das montadoras chinesas

Montadoras chinesas têm derrubado o preço dos carros novos para ganhar mercado. É ótimo para quem compra, mas cada corte no preço do carro zero derruba imediatamente o valor do usado. A locadora que comprou a frota antes do corte absorve a perda.

3. Dependência de um fornecedor

Concentrar parte relevante das compras eletrificadas em uma única montadora cria dependência de preço, prazo de entrega e assistência técnica.

4. Infraestrutura de recarga

Carro parado esperando recarga é carro que não gera receita. Em regiões com pouca infraestrutura, a taxa de ocupação pode cair.

5. O peso dos juros

Locadoras são intensivas em dívida. Com a Selic em patamar elevado, qualquer erro de precificação da frota pesa mais no resultado.

Localiza versus Movida: quem corre mais risco?

A Localiza tem escala muito maior, o que dilui o impacto dos 10 mil veículos, cerca de 1,6% da frota. Mas, como lembra o Acionista, a empresa tem depreciação mais alta, o que a torna mais sensível a um mercado de usados fraco. A Movida, menor e mais alavancada historicamente, tem menos espaço para erros. Em ambos os casos, o risco está menos na compra e mais na revenda.

O que o investidor deveria monitorar

  1. Depreciação por carro divulgada nos resultados da Localiza e da Movida.
  2. Preço médio de venda dos seminovos, especialmente dos eletrificados.
  3. Política de preços das montadoras chinesas.
  4. Alavancagem e custo da dívida.

A lição para a carteira

Narrativas de modernização são fáceis de vender e difíceis de precificar. O investidor não deve comprar locadoras pela história da eletrificação, e sim pela capacidade de gerar retorno acima do custo da dívida ao longo do ciclo completo da frota, da compra à revenda.

Um exercício de cenários sobre a revenda

Para entender o risco, imagine, de forma hipotética, um carro elétrico comprado pela locadora e revendido depois de alguns anos. Três cenários são possíveis:

  • Revenda acima do previsto: a depreciação real é menor que a contabilizada, e a locadora registra ganho na venda.
  • Revenda em linha: o resultado segue o planejado.
  • Revenda abaixo do previsto: a locadora precisa aumentar a depreciação, reduzindo o lucro, às vezes de forma retroativa sobre toda a frota.

Com carros a combustão, o histórico permite estimar com razoável precisão. Com elétricos, a margem de erro é muito maior, e um erro de estimativa multiplicado por milhares de veículos pode ter efeito relevante no resultado.

Por que a eletrificação ainda pode valer a pena

Nem tudo é risco. Elétricos tendem a ter custo de manutenção menor, atraem clientes corporativos com metas ambientais e podem gerar vantagem competitiva para quem aprender primeiro a operar e revender esse tipo de veículo. A questão não é se a eletrificação é boa ou ruim, mas se o preço pago pela ação já embute um otimismo excessivo sobre ela.

Monitore o peso do setor na carteira

Localiza e Movida reagem aos mesmos fatores: juros, preço de usados e demanda por locação. Ter as duas não é diversificar. No Grana.com.vc, você acompanha o peso do setor, o preço médio e a rentabilidade real de cada posição.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quantos carros elétricos a Localiza comprou?

10 mil híbridos e elétricos da BYD, entregues ao longo de dois anos.

Qual a meta de eletrificação da Movida?

Eletrificar 20% da frota até 2030, segundo anúncio feito em 2022.

Qual o maior risco da frota elétrica para as locadoras?

A incerteza sobre o valor de revenda dos elétricos usados, agravada pela guerra de preços das montadoras.

Qual locadora é mais sensível ao mercado de usados?

Segundo análise do Acionista, a Localiza, por ter taxas de depreciação mais altas.

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