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Braskem (BRKM5): Nova Gestão da IG4 e os Riscos de Governança

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4 min de leitura
10/06/2026 às 11:20

A Braskem (BRKM5) virou a página da Novonor. A transferência do controle para a IG4 Capital foi concluída, e a companhia aprovou uma nova diretoria indicada em conjunto pela gestora e pela Petrobras (PETR4). O mercado recebeu a notícia como o início de uma nova fase. A pergunta incômoda é: dividir o comando entre dois sócios com interesses diferentes resolve ou complica?

De acordo com o Guia do Investidor, a nova diretoria foi aprovada na segunda-feira, 8 de junho. Os detalhes estão no site de RI da Braskem.

A nova estrutura de comando

  • Diretoria com oito membros: quatro indicados pela IG4 Capital e quatro pela Petrobras.
  • CEO: Helcio Tokeshi, sócio da IG4.
  • Presidência do conselho: Magda Chambriard, presidente da Petrobras, permanece no cargo.
  • Estratégia: passa a ser definida em conjunto por Petrobras e IG4.

Quatro a quatro: equilíbrio ou impasse?

Uma diretoria dividida exatamente ao meio é desenhada para o consenso. Em tempos tranquilos, funciona. Numa crise de liquidez, quando decisões duras precisam ser tomadas rapidamente, o equilíbrio pode virar paralisia. E a Braskem está justamente na maior crise financeira de sua história recente, com dívida elevada e necessidade de reestruturação.

Os sócios têm objetivos que nem sempre coincidem:

  • A IG4 é uma gestora de investimentos. Seu objetivo é recuperar valor e, em algum momento, realizar retorno para seus cotistas.
  • A Petrobras é estatal, fornecedora de matéria-prima da Braskem e tem objetivos estratégicos e políticos próprios.

O conflito que ninguém comenta: fornecedor e sócio

A Petrobras fornece nafta e outros insumos para a Braskem. O preço desses contratos afeta diretamente as margens da petroquímica. Quando o fornecedor é também sócio com metade da diretoria, cada renegociação de contrato coloca de um lado o interesse da estatal e, de outro, o interesse da Braskem e de seus minoritários. A governança precisa de mecanismos claros para lidar com essa situação, e o acionista deve exigir transparência sobre transações com partes relacionadas, divulgadas à CVM.

Promessas versus restrições

O mercado espera que a nova gestão acelere medidas de eficiência operacional, governança e recuperação financeira. Mas o espaço para manobra é limitado:

  1. Dívida elevada: qualquer plano começa pela negociação com credores.
  2. Ciclo petroquímico fraco: spreads deprimidos limitam a geração de caixa.
  3. Passivo de Alagoas: continua consumindo recursos.
  4. Matéria-prima cara: a dependência de nafta é estrutural.

Nenhum desses problemas se resolve com troca de diretoria. Gestão nova muda a execução, não o ponto de partida.

O risco para o minoritário

Com dois controladores alinhados em um acordo de acionistas, o minoritário tem pouca influência. Se a reestruturação exigir capital novo, os controladores podem aportar em condições negociadas, e o minoritário pode ser diluído. A experiência mostra que reestruturações costumam proteger primeiro credores e controladores.

Para entender o ponto de vista do novo CEO sobre a reestruturação, veja Braskem: CEO admite desafios na reestruturação.

O que observar nos próximos meses

  • O plano de reestruturação apresentado aos credores.
  • Eventuais aumentos de capital e as condições de participação.
  • A revisão dos contratos de fornecimento com a Petrobras.
  • A velocidade das decisões da diretoria dividida.

O que boas práticas de governança exigiriam

Para reduzir os riscos de um controle compartilhado, o mercado costuma valorizar alguns mecanismos:

  • Conselheiros independentes com peso real nas decisões sobre transações com partes relacionadas.
  • Comitê específico para avaliar contratos com a Petrobras.
  • Regras claras para desempate quando os dois sócios discordarem.
  • Transparência sobre o acordo de acionistas e seus efeitos para os minoritários.

O IBGC publica referências de boas práticas de governança corporativa que ajudam o investidor a avaliar essas estruturas.

O histórico de controles compartilhados

Arranjos de controle dividido entre um investidor financeiro e um sócio estratégico não são novidade. Funcionam quando os objetivos de longo prazo estão alinhados e quando há mecanismos claros de saída. Tornam-se problemáticos quando um dos sócios tem horizonte de investimento definido e o outro tem objetivos estratégicos permanentes. No caso da Braskem, o investidor deve observar como a IG4 pretende realizar o retorno de seu investimento e como isso se compatibiliza com os interesses da Petrobras.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

Quem é o novo CEO da Braskem?

Helcio Tokeshi, sócio da IG4 Capital.

Como ficou a diretoria da Braskem?

Oito membros: quatro indicados pela IG4 Capital e quatro pela Petrobras.

Quem preside o conselho?

Magda Chambriard, presidente da Petrobras, permanece na presidência do conselho de administração.

A nova gestão resolve os problemas da Braskem?

Ela muda a execução, mas a dívida elevada, o ciclo petroquímico fraco e o passivo de Alagoas continuam sendo desafios estruturais.

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