EQI Reduz Aposta em Tesouro Pós-Fixado e Vai de Prefixados
Olá, investidor! Aqui é a Luciana M.. A EQI Investimentos mexeu nas carteiras recomendadas de renda fixa para fevereiro: reduziu a fatia em títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, e aumentou a aposta em prefixados. Hoje vamos entender, passo a passo, o que está por trás dessa mudança e o que ela ensina para quem investe em renda fixa.
De acordo com o Guia do Investidor, a casa elevou ligeiramente o risco das carteiras, principalmente com a inclusão de prefixados. A carteira completa está disponível na EQI Research.
O que mudou em cada perfil
- Conservador: mais exposição a prefixados de médio prazo, menos pós-fixados e manutenção da parcela atrelada à inflação.
- Moderado: movimento semelhante, com aumento gradual de prefixados, focado em vencimentos intermediários.
- Arrojado: mais prefixados e IPCA+ mantido em nível elevado, mas evitando os títulos muito longos, cuja relação risco-retorno a casa considerou pouco atrativa.
Em janeiro, as carteiras superaram o CDI, mas ficaram abaixo do IMA-Geral, índice da Anbima que mede o desempenho dos títulos públicos.
Por que trocar pós-fixado por prefixado?
Vamos entender a lógica com calma. Existem três famílias principais de títulos:
- Pós-fixados (Tesouro Selic, CDBs que pagam % do CDI): acompanham os juros do dia a dia. Se a Selic cai, o rendimento cai junto.
- Prefixados: a taxa é travada no momento da compra. Se a Selic cair depois, você continua recebendo a taxa contratada.
- Atrelados à inflação (Tesouro IPCA+): pagam inflação mais um juro real.
A EQI espera que o Banco Central comece a cortar a Selic em março, de forma gradual, até 12,5% ao longo do ano. Se isso acontecer, quem travou uma taxa prefixada antes dos cortes sai ganhando em relação a quem ficou no pós-fixado.
Um exemplo simples
Imagine, de forma hipotética, dois investidores com R$ 10 mil. Um compra um título prefixado que paga uma taxa fixa por dois anos. O outro fica no pós-fixado. Se os juros caírem ao longo desse período, o rendimento do pós-fixado diminui mês a mês, enquanto o prefixado continua pagando a taxa combinada. Esse é o raciocínio da recomendação.
Os motivos citados pela EQI
- Fluxo de capital melhor para ativos brasileiros.
- Perspectiva de inflação mais benigna.
- Início esperado do ciclo de cortes da Selic.
- Cortes de juros nos EUA: a casa espera dois cortes do Fed em 2026, o que tende a favorecer fluxos para emergentes.
As decisões de juros são tomadas pelo Copom, e as expectativas do mercado podem ser acompanhadas no Boletim Focus.
Atenção: prefixado tem risco
Esse é um ponto que muita gente esquece. O prefixado oscila de preço antes do vencimento, por causa da marcação a mercado:
- Se os juros caírem, o título se valoriza.
- Se os juros subirem, o título perde valor no curto prazo.
Se você levar o título até o vencimento, recebe exatamente a taxa contratada. Mas, se precisar vender antes, pode ter ganho ou prejuízo. Por isso, prefixado não serve para reserva de emergência, que precisa de liquidez diária e oscilação mínima.
Como aplicar essa lógica na sua carteira
- Separe a reserva: a reserva de emergência continua no pós-fixado, com liquidez diária.
- Defina o prazo de cada objetivo: se você vai precisar do dinheiro em dois ou três anos, um prefixado com vencimento parecido pode fazer sentido.
- Não aposte tudo: mesmo a EQI fez apenas um ajuste gradual, não uma troca total.
- Compare taxas: o Tesouro Direto mostra as taxas atuais de cada título.
- Lembre do imposto: a tabela regressiva do IR vale para os três tipos de título.
E o Tesouro IPCA+?
Repare que, no perfil conservador, a EQI manteve a fatia em títulos atrelados à inflação. E, no arrojado, preservou o IPCA+ em nível elevado, só evitando os vencimentos muito longos. Isso mostra uma ideia importante: diversificar entre os indexadores.
- O pós-fixado protege quando os juros sobem e garante liquidez.
- O prefixado ganha quando os juros caem mais do que o esperado.
- O IPCA+ protege o poder de compra no longo prazo.
Ninguém acerta sempre o rumo dos juros. Por isso, em vez de trocar tudo de uma vez, as casas de análise costumam fazer ajustes graduais, como a EQI fez. Para o investidor pessoa física, a lição é a mesma: mantenha uma combinação dos três tipos, de acordo com os seus prazos e objetivos, e revise a proporção com calma.
Organize sua renda fixa por tipo de título
Para saber se a sua carteira está mais exposta a pós-fixados, prefixados ou IPCA+, é preciso ver tudo junto. No Grana.com.vc, você registra Tesouro Direto, CDBs e outros títulos, acompanha a distribuição da carteira e define metas de alocação para cada tipo de investimento.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Por que a EQI reduziu os pós-fixados?
Porque espera cortes da Selic a partir de março, o que reduz o rendimento dos pós-fixados e favorece quem trava taxas prefixadas antes.
Até quanto a EQI espera que a Selic caia?
A casa projeta cortes graduais até 12,5% ao longo de 2026.
Prefixado pode dar prejuízo?
Sim, se você vender antes do vencimento num momento de alta dos juros. Levando até o vencimento, recebe a taxa contratada.
Devo tirar minha reserva do Tesouro Selic?
Não. A reserva de emergência precisa de liquidez e baixa oscilação, o que o pós-fixado oferece.
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