Logo
← Voltar para publicações

EQI Reduz Aposta em Tesouro Pós-Fixado e Vai de Prefixados

|
5 min de leitura
04/02/2026 às 09:30

Olá, investidor! Aqui é a Luciana M.. A EQI Investimentos mexeu nas carteiras recomendadas de renda fixa para fevereiro: reduziu a fatia em títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, e aumentou a aposta em prefixados. Hoje vamos entender, passo a passo, o que está por trás dessa mudança e o que ela ensina para quem investe em renda fixa.

De acordo com o Guia do Investidor, a casa elevou ligeiramente o risco das carteiras, principalmente com a inclusão de prefixados. A carteira completa está disponível na EQI Research.

O que mudou em cada perfil

  • Conservador: mais exposição a prefixados de médio prazo, menos pós-fixados e manutenção da parcela atrelada à inflação.
  • Moderado: movimento semelhante, com aumento gradual de prefixados, focado em vencimentos intermediários.
  • Arrojado: mais prefixados e IPCA+ mantido em nível elevado, mas evitando os títulos muito longos, cuja relação risco-retorno a casa considerou pouco atrativa.

Em janeiro, as carteiras superaram o CDI, mas ficaram abaixo do IMA-Geral, índice da Anbima que mede o desempenho dos títulos públicos.

Por que trocar pós-fixado por prefixado?

Vamos entender a lógica com calma. Existem três famílias principais de títulos:

  1. Pós-fixados (Tesouro Selic, CDBs que pagam % do CDI): acompanham os juros do dia a dia. Se a Selic cai, o rendimento cai junto.
  2. Prefixados: a taxa é travada no momento da compra. Se a Selic cair depois, você continua recebendo a taxa contratada.
  3. Atrelados à inflação (Tesouro IPCA+): pagam inflação mais um juro real.

A EQI espera que o Banco Central comece a cortar a Selic em março, de forma gradual, até 12,5% ao longo do ano. Se isso acontecer, quem travou uma taxa prefixada antes dos cortes sai ganhando em relação a quem ficou no pós-fixado.

Um exemplo simples

Imagine, de forma hipotética, dois investidores com R$ 10 mil. Um compra um título prefixado que paga uma taxa fixa por dois anos. O outro fica no pós-fixado. Se os juros caírem ao longo desse período, o rendimento do pós-fixado diminui mês a mês, enquanto o prefixado continua pagando a taxa combinada. Esse é o raciocínio da recomendação.

Os motivos citados pela EQI

  • Fluxo de capital melhor para ativos brasileiros.
  • Perspectiva de inflação mais benigna.
  • Início esperado do ciclo de cortes da Selic.
  • Cortes de juros nos EUA: a casa espera dois cortes do Fed em 2026, o que tende a favorecer fluxos para emergentes.

As decisões de juros são tomadas pelo Copom, e as expectativas do mercado podem ser acompanhadas no Boletim Focus.

Atenção: prefixado tem risco

Esse é um ponto que muita gente esquece. O prefixado oscila de preço antes do vencimento, por causa da marcação a mercado:

  • Se os juros caírem, o título se valoriza.
  • Se os juros subirem, o título perde valor no curto prazo.

Se você levar o título até o vencimento, recebe exatamente a taxa contratada. Mas, se precisar vender antes, pode ter ganho ou prejuízo. Por isso, prefixado não serve para reserva de emergência, que precisa de liquidez diária e oscilação mínima.

Como aplicar essa lógica na sua carteira

  1. Separe a reserva: a reserva de emergência continua no pós-fixado, com liquidez diária.
  2. Defina o prazo de cada objetivo: se você vai precisar do dinheiro em dois ou três anos, um prefixado com vencimento parecido pode fazer sentido.
  3. Não aposte tudo: mesmo a EQI fez apenas um ajuste gradual, não uma troca total.
  4. Compare taxas: o Tesouro Direto mostra as taxas atuais de cada título.
  5. Lembre do imposto: a tabela regressiva do IR vale para os três tipos de título.

E o Tesouro IPCA+?

Repare que, no perfil conservador, a EQI manteve a fatia em títulos atrelados à inflação. E, no arrojado, preservou o IPCA+ em nível elevado, só evitando os vencimentos muito longos. Isso mostra uma ideia importante: diversificar entre os indexadores.

  • O pós-fixado protege quando os juros sobem e garante liquidez.
  • O prefixado ganha quando os juros caem mais do que o esperado.
  • O IPCA+ protege o poder de compra no longo prazo.

Ninguém acerta sempre o rumo dos juros. Por isso, em vez de trocar tudo de uma vez, as casas de análise costumam fazer ajustes graduais, como a EQI fez. Para o investidor pessoa física, a lição é a mesma: mantenha uma combinação dos três tipos, de acordo com os seus prazos e objetivos, e revise a proporção com calma.

Organize sua renda fixa por tipo de título

Para saber se a sua carteira está mais exposta a pós-fixados, prefixados ou IPCA+, é preciso ver tudo junto. No Grana.com.vc, você registra Tesouro Direto, CDBs e outros títulos, acompanha a distribuição da carteira e define metas de alocação para cada tipo de investimento.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Por que a EQI reduziu os pós-fixados?

Porque espera cortes da Selic a partir de março, o que reduz o rendimento dos pós-fixados e favorece quem trava taxas prefixadas antes.

Até quanto a EQI espera que a Selic caia?

A casa projeta cortes graduais até 12,5% ao longo de 2026.

Prefixado pode dar prejuízo?

Sim, se você vender antes do vencimento num momento de alta dos juros. Levando até o vencimento, recebe a taxa contratada.

Devo tirar minha reserva do Tesouro Selic?

Não. A reserva de emergência precisa de liquidez e baixa oscilação, o que o pós-fixado oferece.

Gostou do conteúdo?

Compartilhe com sua rede de investidores.